O JEJUM NO NOVO TESTAMENTO – Parte 1 – Rogério L. Clavello

INTRODUÇÃO

        Em todas as epístolas (os livros do Novo Testamento escritos para a Igreja) não há um único versículo em que a Igreja é exortada a jejuar. Isto não significa que não devemos fazê-lo. O jejum é mencionado, mas não há regras estabelecidas. Isso ocorre porque o jejum deve ser feito de acordo com a necessidade da ocasião.

        O jejum não muda a Deus. Ele é o mesmo antes, durante e depois de seu jejum. Mas o jejum o mudará, o ajudará a mortificar a sua carne. O tornará mais sensível ao Espírito de Deus.

        É bom jejuar em meio de circunstâncias adversas em que necessitamos de ficar na presença de Deus em oração.

        Há ocasiões em que o nosso espírito vai pedir para jejuar. Quando isso acontecer é porque Deus está nos conduzindo a jejuar. Isso já aconteceu comigo algumas vezes. Contudo, o máximo que já jejuei foi um período de quase três dias.

        O Novo testamento apresenta três razões para o jejum:

  1. Para ministrar ao Senhor. Em períodos em que vamos permanecer na presença de Deus através da meditação na Palavra e em oração/adoração.
  2. Nos períodos em que vamos ministrar as pessoas com imposição de mãos.
  3. Para se chegar a Deus em tempos de perigo/tribulação.

Estes são os motivos bíblicos. Você não precisa jejuar para vencer o diabo. Jesus já o venceu por nós. Lembre-se que usamos o jejum para sujeitar a nossa carne.

CAPÍTULO 1

O JEJUM NA NOVA ALIANÇA

Vamos começar com Mateus 9. 14-17:

14 “Então, chegaram ao pé dele os discípulos de João, dizendo: Por que jejuamos nós e os fariseus muitas vezes, e os teus discípulos não jejuam? 15 E disse-lhes Jesus: Podem porventura andar tristes os filhos das bodas, enquanto o esposo está com eles? Dias, porém, virão, em que lhes será tirado o esposo, e então jejuarão. 16 Ninguém deita remendo de pano novo em roupa velha, porque semelhante remendo rompe a roupa, e faz-se maior a rotura. 17 Nem se deita vinho novo em odres velhos; aliás rompem-se os odres, e entorna-se o vinho, e os odres estragam-se; mas deita-se vinho novo em odres novos, e assim ambos se conservam”.

Estamos vivendo dias em que Jesus não está mais conosco fisicamente. É nestes dias que o jejum deveria ocorrer (v.15). Embora Jesus não tenha dado nenhuma orientação a respeito do efeito do jejum, neste trecho ele comenta a respeito do efeito do jejum na mortificação da carne e liberação de uma nova unção de Deus em nossas vidas. Para isso, usou uma analogia natural bastante interessante.

Um odre nada mais era do que bexiga de carneiro e era usada como recipiente para conter vinho.

O vinho novo era colocado num odre novo e o odre era fechado para que o vinho fosse envelhecido (fermentado) e ficasse bom. No processo de fermentação, o gás carbônico desprendido esticava o odre até o limite de sua elasticidade. E então o odre se tornava velho. Naquelas condições o odre não poderia suportar mais vinho novo, do contrário, se romperia.

Para que o odre velho pudesse ser reaproveitado deveria ser renovado. O processo de renovação do odre era o seguinte: primeiro era mergulhado em água por longo período. Depois recebia azeite até que se tornasse macio e elástico novamente.

O que Jesus estava querendo dizer é que se deixarmos nossa natureza terrena dominar nossas vidas, somos como odres velhos, vazios, mortos e secos.

Mas através do jejum, em que dedicamos tempo a meditar, tempo na meditação na Palavra de Deus (tipificada pela água que renovava o odre), e ter comunhão com o Espírito Santo (tipificada pelo azeite que renovava o odre), temos condição de mudar nosso interior e passamos a condição em que a carne é mortificada e a natureza espiritual passa a exercer domínio em nossas vidas (passamos a ser um odre novo). Nesta situação, Deus tem condições de derramar uma nova unção em nossas vidas (vinho novo).

Mas esta unção se perderá se voltarmos a andar na carne (representada pelo odre velho). A unção de Deus só pode ser derramada e permanecer se a carne estiver em sujeição em nossas vidas, isto é, estivermos andando no espírito (isso é representado pelo odre novo).

O que jejum faz é ajudar a mortificar a nossa carne e mantê-la em sujeição, e isto equivale em analogia a transformar o odre velho em odre novo, tornando-nos sensíveis ao Espirito. E assim podemos receber uma nova unção de Deus (Sl 92.10b) que nos capacitará a operar em Deus.

Vejamos agora Mateus 6.16-18:

16 “E, quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas; porque desfiguram os seus rostos, para que aos homens pareça que jejuam. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. 17 Tu, porém, quando jejuares, unge a tua cabeça, e lava o teu rosto, 18 Para não pareceres aos homens que jejuas, mas a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente”.

O jejum individual no Novo Testamento é secreto. É algo entre você e Deus. Não é correto sair tocando a trombeta quanto as suas atividades de oração e jejum.

Certa vez um indivíduo veio perguntar a um ministro do Evangelho qual o preço real para trazer um reavivamento em sua cidade.

– “Você quer saber mesmo?” Respondeu o ministro.

– Sim.

– Você se trancaria numa pequena sala e oraria até que viesse um reavivamento sobre sua cidade sem que você não pudesse contar a ninguém que foi você que orou?

Não é bom sair por aí gabando-se de quanto temos orado e jejuado. Isto é hipocrisia. Jesus disse para não aparentarmos aos homens que jejuamos. Faça-o para Deus, em secreto. E seu Pai que vê em secreto o recompensará.

1.1. Jejuar para ministrar ao Senhor

1 “E na igreja que estava em Antioquia havia alguns profetas e doutores, a saber: Barnabé e Simeão chamado Níger, e Lúcio, cireneu, e Manaém, que fora criado com Herodes o tetrarca, e Saulo. 2 E, servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado”.

Podemos ministrar ao Senhor individualmente ou coletivamente. Atos 13 1,2 fala da liderança da igreja de Antioquia ministrando coletivamente ao Senhor.

Eles separaram um tempo para esperar em Deus, para ministrar ao Senhor, para servir ao Senhor. Servir ao Senhor tem tudo a ver com a adoração neo-testamentária, isto é, a adoração feita na força do Senhor em espírito e em verdade.

18 “E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito; 19 Falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração; …”

        Quando ministramos ao Senhor, seja individualmente, seja coletivamente, o jejum funciona como complemento às atividades de comunhão com Deus. Ele nos ajuda a manter a carne sobre controle e nos deixa mais sensíveis ao Espírito Santo.

        Se o seu jejum é aquele em que você passa todo o tempo correndo ansioso de um lado para outro, só executando atividades naturais, e não ministra ao Senhor, então esse tipo de “jejum” não serve para muita coisa. Isso é greve de fome. O jejum deve dar a você tempo para esperar em Deus. Ao mesmo tempo, o ajudará a sujeitar a carne (1Co 9.27).

        1.2. Jejuar para ministrar a outras pessoas

1 “E na igreja que estava em Antioquia havia alguns profetas e doutores, a saber: Barnabé e Simeão chamado Níger, e Lúcio, cireneu, e Manaém, que fora criado com Herodes o tetrarca, e Saulo. 2 E, servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado”.  (Atos 13.1,2)

22 “Confirmando os ânimos dos discípulos, exortando-os a permanecer na fé, pois que por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus”. (Atos 14.22)

        O primeiro trecho fala do comissionamento apostólico de Paulo e Barnabé. Este comissionamento foi feito debaixo de uma Palavra de Deus pois “disse o Espírito Santo”. “Separai-me agora a Paulo e Barnabé para a obra a que os tenho chamado”.

        A imposição de mãos sobre estes veio como confirmação do chamado de Deus diante de todos e como selo da unção de Deus que seguiu ao chamado.

        O segundo trecho fala da ordenação de presbíteros na igreja que Paulo e Barnabé fundaram. Neste trecho também o jejum está presente.

        Em ambos os casos o jejum os ajudou a ficarem sensíveis à voz de Deus e a sujeitar a carne. Isto permitiu que uma nova unção fosse derramada sobre aqueles ministros a quem Deus tinha chamado.

        É recomendável jejuar antes de impor as mãos nas pessoas em qualquer ministério de impacto, como por exemplo antes de impor as mãos sobre os enfermos e também para o batismo com o Espírito Santo. Isto nos ajuda a ativar a unção individual e nos torna mais sensíveis ao Espírito.

        Nas horas antecedentes a uma reunião de impacto em que imporemos as mãos sobre as pessoas, é importante que ministremos ao Senhor. Isto ocorre em linha com Romanos 12.1,2 e Efésios 5.18,19.

        Quando oferecemos o nosso corpo em sacrifício vivo estamos mortificando a carne e nos enchendo do Espírito. Oferecemos o corpo em sacrifício em linha com Efésios 5.18,19, isto é, através do falar em línguas bem como por meio de salmos, hinos e cânticos espirituais.

        Além disso, ministramos ao Senhor de acordo com Romanos 12.2, renovando a nossa mente pela meditação na Palavra de Deus. O jejum vem em complemento a essas atividades.

        Quando assim fazemos, estamos nos preparando convenientemente para impor as mãos nas pessoas, pois teremos ativado nossa unção individual ao seu potencial pleno e estaremos fluindo junto com o Espírito, estaremos sensíveis a sua voz, estaremos discernindo o mover de Deus, estaremos discernindo o que o Espírito Santo quer produzir.

1.3 Jejuar para se chegar a Deus em tempos de perigo/tribulação

        Em Atos 27 inferimos que Paulo jejuou até que obteve a resposta de Deus concernente ao livramento dos tripulantes do navio no naufrágio que se sucedera (v.21-26). O jejum deve ter um desses propósitos. Não jejue sem um propósito.

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