DISCIPULADO E MATURIDADE CRISTÃ – EDILBERTO PEREIRA LUZ (1)

 

O DISCÍPULO E O FRUTO DO ESPÍRITO

Gálatas 5.22,23

 

A nossa vida deve ser uma imitação da vida de Jesus Cristo.

Quando nos identificamos com Jesus Cristo, através do batismo, estamos dizendo que, de agora em diante, viveremos como Ele viveu. Esta é a vontade de Deus para cada um de nós.

Mas como pode o discípulo viver de tal maneira que a sua vida seja uma imitação autêntica da vida de seu Mestre? Como pode o mundo ver Jesus Cristo hoje através de seus discípulos? Para responder a estas perguntas é preciso compreender a função do Espírito Santo.

Quando Jesus prometeu seu Espírito Santo, que o mundo não vê nem conhece, falou um pouco da função dele, especificamente na vida do cristão.

 

Vamos ler João 16.14 e vamos ver o resumo da função do Espírito Santo no mundo.

Tudo o que o Espírito Santo faz desde a sua atuação para a conversão do pecador até a capacitação para viver a vida cristã, tem a finalidade última de glorificar o Nome do Senhor Jesus Cristo.

Quando permitimos que o Espírito Santo controle nossa vida, Ele produzirá em nós as mesmas qualidades encontradas na vida de Jesus Cristo, ou seja, Ele o glorificará ao apresentar o seu caráter ao mundo, através de nós. É isso que a Bíblia chama de Fruto do Espírito Santo.

O fruto do Espírito Santo é a evidência da presença e plenitude do Espírito na vida do cristão. É o resultado da união vital do crente com Cristo. Transmite as ideias de crescimento espiritual ordenado e progressivo. O Espírito procura produzir o fruto, reproduzindo Cristo no crente.

Encontramos em Efésios 5.18 a ordem de Deus: “Enchei-vos do Espírito Santo”, com a ideia de ação contínua e crescente, para alcançar a plenitude do Espírito e produzir o fruto do Espírito, em contraste com “não vos embriagueis com vinho”. No Espírito há edificação, glorificação a Deus. No vinho há obras da carne, devassidão, degradação moral, pecado.

O fruto do Espírito não pode ser confundido com o dom do Espírito e os dons do Espírito. O dom do Espírito é a concessão do Espírito. Os dons do Espírito são as capacitações especiais que o Espírito confere aos crentes para a realização de ministérios específicos na igreja e no serviço cristão. Os crentes de corinto, embora tivessem o Espírito e os dons do Espírito eram “carnais”, não podiam receber alimento sólido, eram ainda criancinhas na fé. Paulo mostra-lhes, conforme 1 Coríntios 13, um caminho sobremodo excelente, o caminho do amor, o fruto do Espírito, o indicador seguro da verdadeira espiritualidade, da maturidade que tanto necessitavam.

O apóstolo Paulo exorta os crentes da Galácia a andarem no Espírito a fim de não serem vencidos pelos desejos da carne (Gl 5.16). A carne e o espírito são opostos, travando contínuo combate (Gl 5.17). A Bíblia nos dá um perfil dos crentes carnais.

  • São criancinhas em Cristo, salvos pela graça, mas que não buscaram ou que recusaram ser transformados e não podem ainda suportar alimento sólido (1Co 3.1-3).
  • Andam segundo a carne e não podem agradar a Deus (Rm 8.8).
  • Não tem amor à Palavra de Deus (Jo 14.23).
  • Não tem vida de oração (1Ts 5.17).
  • Não testemunham de Cristo habitualmente (At 1.8) e, por isso, o seu louvor não agrada a Deus (Hb 13.15).
  • Não pensam nas coisas que são de cima, mas nas que são da terra (Cl 3.2).
  • Não morreram para o pecado (Rm 6.6.; Cl 3.3), e não negaram a si mesmos, nem tomaram a sua cruz para seguir a Cristo (Lc 9.21).
  • Não se consagraram a Deus (Rm 2.1,2).
  • Deixaram-se atrair pelo mundo (Jo 2.15; Tg 4.4) e não tem a alegria da salvação (Sl 51.12).

 

O crente carnal produzirá “as obras da carne”, enquanto o espiritual produzirá o fruto do Espírito.

Os crentes que percorrem o caminho da santificação em direção à maturidade, à vida abundante, à plenitude do Espírito consagrando totalmente suas vidas a Deus, andarão no Espírito e produzirão o fruto do Espírito.

Este fruto indica a unidade e a coerência da vida no Espírito. Da a ideia de crescimento e de maturidade espiritual. O fruto apresenta-se através de nove aspectos ou virtudes presentes na pessoa de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, que o Espírito Santo procura reproduzir na vida do crente. Estão relacionados tanto em Gálatas 5. 22,23 como em 1Co 13.1-7:

  1. Amor (Ágape)
  • Este é o amor de Deus, na sua forma mais elevada e bela, o amor que o levou a dar ao mundo o Seu Filho, Jesus Cristo, e este a se entregar, para a salvação do homem pecador (Jo 3.16; Ef 5.1-2; 1Jo 4.11).
  • É o amor altruísta, não egoísta nem egocêntrico, que ama até os inimigos. Deus o derramou em nosso coração, pelo Espírito Santo que nos foi dado (Rm 5.5).
  • Deve ser orientado para Deus e para o próximo (Mc 12.30,31).
  • O amor é a base de todo relacionamento perfeito no céu e na terra (1Jo 4. 7-12).

 

Exemplo em Jesus Cristo: Mc 10.21; Jo 11. 33-36; Lc 23.34.

 

  1. Alegria

Alegria é o profundo regozijo do coração, o verdadeiro gosto de viver, a satisfação “no Senhor”, independente das circunstâncias (Jo 16.22). Sua fonte está localizada na graça de Deus. O crente pode ter momentos de tristeza, “… pela manhã, porém vem o cântico de júbilo” (Sl 30.5). Mesmo durante as mais duras provações, o crente pode experimentar a alegria (Rm 12.12).

 

Exemplo em Jesus Cristo: Jo 15.11.

 

  1. Paz

Paz é uma atitude de serenidade, calma e força, tranquilidade e quietude de espírito, produzida pelo Espírito Santo, mesmo nas adversidades e tribulações.

  • Jesus nos prometeu essa paz (Jo 14.27).
  • Ela deriva de nossa perfeita confiança em Deus,
  • guarda nossos corações da ansiedade, vem da Palavra de Deus (Fp 4.6-7; Sl 119.165),
  • e devemos busca-la (Sl 34.14).
  • O crente pode perder a paz temporariamente, mas ela é logo renovada pelo Espírito Santo, mediante a confissão dos pecados, através da oração e pela leitura da Palavra de Deus.

 

Exemplo em Jesus Cristo: Jo 14.27, 16.33.

 

  1. Longanimidade
  • Longanimidade é a qualidade dada por Deus que faz o homem ser paciente até na provação (Rm 12.12).
  • É melhor que a força (Pv 16.32).
  • O crente é exortado a andar com longanimidade (Ef 4.2).
  • O crente é exortado a revestir-se de longanimidade (Cl 3.12).

 

A irritação, a ira, a vingança, são obras da carne, o oposto da longanimidade. James Crane, em seu livro “O Espírito Santo na Experiência Cristã (Edição JUERP, ), citando Thayer, afirma que a palavra significa “a auto- restrição que não responde ou revida apressadamente a um mal feito”.

Significa paciência para com as pessoas, suas fraquezas, falhas, ignorância, demoras e pecados.

 

Exemplo em Jesus Cristo: Mt 15.15-20; Lc 9.51-55.

 

  1. Benignidade – Lc 6.35; Sl 103.17
  • A benignidade está associada à ideia de amabilidade e brandura, compaixão e misericórdia (Ef 4.32).
  • Somos exortados a nos revestir de benignidade.
  • A vida de Cristo comunicada ao crente produzirá a benignidade.

Exemplo em Jesus Cristo: Lc 7.36-50

 

  1. Bondade

Bondade é a generosidade em ação para com outras pessoas.

Davi conhecia de perto a bondade de Deus em sua vida (Sl 23.6).

Vejamos o que a Palavra de Deus diz sobre a bondade ((Pv 21.21; 11.17; Ef 4.32).

Jesus em nós é o segredo para a verdadeira bondade produzida pelo Espírito Santo.

 

Exemplo em Jesus Cristo: At 10.38.

 

  1. Fidelidade

A palavra fidelidade significa confiabilidade total, lealdade absoluta. É a qualidade que torna uma pessoa digna de confiança. O cristão deve usar de fidelidade para com Deus e Sua Palavra, bem como para com o próximo.

 

  • Jesus procura essa qualidade em seus discípulos ((Mt 25.23; Lc 16.10; 1Co 4.2).
  • O Senhor é fiel (Sl 119.90).
  • Ele conclama o crente a ser fiel até a morte (Ap 2.10)

Exemplos em Jesus Cristo:

  • Fiel à Palavra do Pai (Mt 26.52-54)
  • Fiel à obra do Pai (Jo 9.4)
  • Fiel à vontade de Seu Pai (Lc 22.42)

 

  1. Mansidão

 

  • Mansidão descreve o caráter em que a força e a brandura estão juntas. Significa ainda que a humildade, suavidade e gentileza estão presentes.
  • A Bíblia exalta essa virtude (Sl 37.11).
  • A mansidão de Moisés é um exemplo para todos os crentes (Nm 12.3).
  • O cristão é exortado a andar em toda a humildade e mansidão ( Ef 4.1,2) e a revestir-se de mansidão (Cl 3.12).

 

Exemplos em Jesus Cristo: Mt 11.28,29; 21.5.

 

  1. Domínio Próprio
  • Domínio próprio expressa autocontrole, autodisciplina, temperança e moderação.
  • Descreve força interior pelo qual o cristão se controla.
  • Toda a nossa personalidade, mente, emoções e vontade devem ficar sob o domínio de Cristo (Fp 4.5; Tt 2.6).
  • Todo o nosso corpo, com seus apetites, impulsos, desejos e instintos, deve ser governado por Deus, se quisermos viver uma vida santa.
  • O domínio próprio deve estar presentes em todos os cristãos (2Pe 1.5,6).

 

Exemplo em Cristo: Lc 23.6-11; Mt 23.63-68

 

CONCLUSÃO

 

A maior característica de uma vida na plenitude do Espírito é a manifestação do fruto do Espírito Santo nessa vida. Se o fruto do Espírito Santo  é a reprodução da vida de Cristo Jesus na vida do cristão, então, afirma James Crane, “Gálatas 5.22,23 combina com Romanos 6.6-13 e Gálatas 2.20”. Quando, pela fé aceitamos a nossa posição “em Cristo” como estando mortos para o pecado e vivos para Deus (Rm 6.6-11), e nos apresentamos para sermos usados como instrumentos de justiça (Rm 6.12-13), então, mediante a plenitude do Espírito, o Cristo ressurreto começa a viver sua vida em nós (Gl 2.20). E sua vida foi o fruto do Espírito em toda a sua intensidade.

Que Deus nos ajude a crescer espiritualmente em direção à vida do Espírito e produzir o fruto do Espírito em nosso viver diário, para que o nome do nosso Senhor Jesus Cristo seja glorificado (Mt 5.16).

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