CHAMADOS PARA SER DISCIPULOS – EDILBERTO PEREIRA LUZ (2)

CAPÍTULO 1 –  PERMANECER NELE

 João 15. 4,7

4 “Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós; como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não permanecer na videira, assim também vós, se não permanecerdes em mim”.

7 “Se vós permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes, e vos será feito”.

Permanecer em Jesus é uma condição “se ne qua non” para o discipulado entre Jesus e Seu discípulo ser concretizado. Jesus só vai cuidar daqueles que buscam sua intimidade. Ele deixou isso bem claro ao afirmar que Ele só vai permanecer naquele que permanecer nEle. Para deixar claro o significado de “permanecer” ele usa a figura da videira. A videira é uma árvore que dá frutos através de pequenos ramos que se ligam ao ramo principal. A seiva passa através do ramo principal e flui para os raminhos que florescem e frutificam com a força proporcionada pela seiva.

Jesus compara o discipulado com a relação entre os raminhos e o ramo principal da videira. É preciso que todos estejam ligados ao ramo principal, mas para que isso seja possível eles precisam estar ligados uns aos outros. É exatamente isso que Jesus espera que aconteça na Igreja. Todos nós, em última instância, somos discípulos de Jesus, mas para que cheguemos lá precisamos estar ligados uns aos outros através do discipulado pessoal. Para recebermos a seiva(a unção do Espírito Santo) que nos  capacita a viver a vida cristã autêntica, precisamos recebe-la de Jesus, através da comunhão com os demais irmãos que estão igualmente ligados a Ele. Jesus espera que sejamos dependentes uns dos outros para que cresçamos juntos.

A questão me parece bem lógica: Quanto mais permanecemos unidos através do discipulado, mais estaremos permanecendo em Cristo. Ele esclarece ainda mais quando coloca um requisito importante para permanecermos nEle: que a sua Palavra permaneça em nós. Isto faz do discipulado pessoal um momento em que discipulador e discípulo devem estudar a Palavra juntos. Ao estudar a Palavra e, consequentemente, praticar a Palavra, a Palavra vai permanecer em ambos e Cristo vai permanecer na vida de cada um deles. Discipulado é o meio através do qual cumprimos esse importante requisito para que permaneçamos em Cristo e Cristo permaneça em nós.

Vejamos alguns resultados do “Permanecer em Cristo”.

  1. INTIMIDADE COM JESUS: Se permanecermos nEle, Ele permanece em nós. “Permanecer em mim” é uma expressão que traz a ideia de um relacionamento de comunhão estável e de fidelidade dinâmica. É isto que Jesus espera de seus discípulos. Este relacionamento estável com Jesus é desenvolvido basicamente através da prática de algumas atividades tais como:

Oração – nós falamos com Ele. Oração é o meio através do qual falamos com Deus. Mas não sabemos orar. Precisamos aprender a orar. E, para aprender precisamos ter alguém que nos ensine. Um dos itens importantes do discipulado é oração e, o discipulador deve se preocupar em treinar o seu discípulo na prática da oração para que Ele possa desenvolver uma intimidade com Jesus. Quanto mais orarmos mais vamos permenecer nEle.

Meditação na Palavra – Ele fala conosco. Meditação na Palavra é o momento em que Deus fala conosco sem intermediação. Se falamos com Ele através da oração, Ele fala conosco através da meditação na Palavra. Mas, de forma semelhante à oração também não sabemos como meditar na Palavra. Assim, novamente o discipulador vem em nosso auxílio para nos ensinar. O discipulador deve ter, como Paulo, a preocupação de fazer com seu discípulo o mesmo que Paulo fez a Timóteo: fazer com que ele seja um obreiro que não tem do que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade (2Tm 2.15).

– Adoração – nossa demonstração de amor a Ele. Todo cristão deve ser um adorador. Adoração eleva nosso nível de intimidade com Deus. Por ser uma ação tão profunda a adoração demanda tempo de aprendizado. Aqui o discípulo e seu discipulador vão aprofundar juntos seu nível de relacionamento com Jesus. Por isso é muito importante nos encontros de discipulado que tirem um tempo para adorar juntos. Desta forma o discípulo vai aprendendo a ser um adorador que adore ao Pai em espírito e em verdade (Jo 4.23)

Comunhão – Recebendo dEle através de nossos irmãos. A comunhão dos irmãos é o ambiente onde crescemos na nossa comunhão com Jesus. Tudo aquilo que aprendemos fazer na nossa intimidade podemos e devemos praticar em comunhão com outros irmãos. É isso que a Bíblia chama de koinonia. Os primeiros discípulos nos deram o exemplo, pois eles perseveraram na comunhão (At 2.42). O discipulador vai se esforçar para envolver seu discípulo na comunhão da Igreja e fazer dele um participante ativo do corpo de Cristo.

FRUTIFICAÇÃO – Permanecer em Jesus também é uma condição para frutificarmos. A metáfora usada por Jesus nos ensina, de maneira bem clara que um ramo não tem vida nem utilidade se não continuar ligado à videira. A mesma coisa acontece com os discípulos de Jesus; somente à medida que permanecem unidos a Ele e tem nEle a origem de sua vida é que podem produzir o fruto do Espírito (ver Gálatas 2.20; Filipenses 4.13).

DEPENDÊNCIA – João 15.5 – Jesus deixa bem claro que sem Ele nada podemos fazer. Numa videira, a seiva que flui pelo caule capacita-o a produzir uvas. Sem isso, ele fica infrutífero. O mesmo acontece com o discípulo de Jesus. Se ele não estiver em completa dependência dEle, não irá frutificar para o Reino de Deus.  Por isso precisamos estar profundamente ligados a  Cristo e uns com os outros.

FIDELIDADE –  Israel é comparado com uma videira. É enfatizado que a madeira da videira não serve para nenhuma outra coisa a não ser para a função específica da videira – produzir uvas. A madeira de uma videira morta não pode ser usada para fazer um móvel ou algum outro utensílio, não serve nem como gancho para pendurar algo. Um galho de videira que não produz fruto, serve apenas como combustível. Em outras palavras, é a mesma coisa que Jesus nos fala aqui. Se não somos fiéis na nossa condição de galhos da videira, a única opção que nos sobra é servirmos de combustível; ou seja, sermos apanhados, lançados no fogo e queimados.

ORAÇÃO RESPONDIDA – O segredo das orações bem-sucedidas está exatamente no fato de estarmos ou não vivendo em intimidade com Jesus. Jesus estabelece aqui duas condições para que nossas orações sejam respondidas positivamente:

  1. a) “Se permanecerdes em mim…”
  2. b) “Se minhas palavras permanecerem em vós…”

Estas duas condições, na verdade, formam uma só. Não há diferença entre Jesus habitar pessoalmente em seus discípulos e de suas palavras permanecerem neles. “Palavras” aqui é a tradução de “rhemata” que são os pronunciamentos individuais que compõe todo o ensino de Jesus (logos). Jesus é a corporificação viva de todo o seu ensino. Jesus está prometendo que responderá a todas as orações daqueles que permanecerem nEle e em cujo coração as suas palavras tem residência permanente.

  1. B) ANDAR COMO ELE ANDOU – Esta é a segunda condição à qual o discípulo de Jesus deve obedecer. Se permanecermos nEle, vamos andar como Ele andou. Vamos analisar aqui algumas características deste andar como Cristo andou.

Em Cristo nós vivemos vida nova – Romanos 6.4 – Somos participantes da morte e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Pelo ato do batismo estamos declarando que morremos, fomos sepultados e ressuscitamos com Ele . Andar como Cristo andou implica na atualização destes atos redentores na vida moral e espiritual do cristão.

Andar como Cristo andou significa andar por fé – 2Coríntios 5.7 – É a fé que deve comandar todas as nossas ações e atitudes. O cristão que anda como Cristo andou precisa andar por fé, como quem vê o invisivel. Não andemos movidos pelas circunstâncias que nos rodeiam, mas pela fé naquilo que Deus nos fala pela Sua Palavra e pelo Seu Espirito, que habita em nós.

Andar em Cristo significa andar no Espírito – Gálatas 5.16 – Andar no Espírito nada mais é do que permitir que o Espírito Santo viva a vida de Cristo em você. O cristão conduzido pelo Espírito vive de acordo com a direção do Espírito (v.22-23). Manifestar o fruto do Espirito só é possível àqueles que andam no Espírito. Se você já nasceu de novo, foi batizado no Espírito, então você já vive no Espírito. Mas, andar como Cristo andou é algo que vai além do simples viver no Espírito; e andar no Espirito (v.25). Andar no espírito é ser totalmente de Cristo, é crucificar a carne com as suas paixões e concupiscências (v.24).

Andar como Cristo andou é andar em amor – Efésios 5.2 – É amar no padrão do amor de Cristo. Cristo nos amou com amor incondicional, sacrificial. Ele se entregou em sacrifício por nós, ou seja, em nosso lugar. Assim também devemos andar. Devem nos entregar pelos nossos irmãos. O nosso caminhar nessa terra deve ser marcado pela prática do amor.

Andar como Cristo andou é andar com cautela – Efésios 5.15 – Andar como Cristo e ser cauteloso na caminhada. Não podemos andar como tolos ou néscios, mas como sábios. Estamos andando em terreno perigoso, pois o inimigo está sempre à espreita. Satanás é o “príncipe deste mundo”. Os dias em que vivemos “são maus” (v16). Devemos remir o tempo, buscando cada vez mais desenvolver nossa intimidade com Deus.

Andar como Cristo andou é andar na luz – 1João 1.7 – Andar na luz É andar numa comunhão real com Cristo e com os irmãos. É impossível viver este estilo de vida continuar na prática do pecado. Andar na luz nos leva a desenvolver o caráter de Deus (cf. V.5, João  8.12, Mateus 5.16, 48).

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