UM RETRATO DE DEUS – STEPHEN CHARNOCK

 

A Existência de Deus

Salmo 14.1: Disse o néscio no seu coração: Não há Deus. O Apóstolo Paulo faz referência a este mesmo Salmo em Romanos, no capítulo 3, para provar que todo homem, no mundo inteiro, é corrupto e pecador por natureza. No hebraico, a palavra traduzida por Deus, no Salmo 14: 1, não é Jeová, que fala de sua existência, mas Elohim, que o apresenta como sendo o Juiz. Hebreus 11: 6 nos diz que devemos crer que Deus existe, e que Ele é galardoador daqueles que diligentemente o buscam.

Há três tipos de ateísmo. Primeiro, o ateísmo absoluto, que nega totalmente a existência de Deus. Segundo, o ateísmo providencial, que limita Deus ao céu e o mantém fora da terra. O deismo se enquadra nesta categoria. Terceiro, o ateísmo natural, que nega a natureza e perfeições atribuídos a Deus nas Escrituras. Este tipo de ateísmo é o mais comum e o mais sutil.

Todo ateísta é um grande tolo. Ele se coloca contra toda razão, e em última instância, nega tudo. Sua consciência lhe diz que há um Deus, mas ele insiste em suprimir e negar este conhecimento (Romanos 1: 18). Para mostrar a tolice do ateísmo, vamos considerar alguns argumentos acerca da existência de Deus.

  1. A prevalência da religião em todo o mundo prova a existência de um Deus.

A história nos mostra a inclinação religiosa do homem. Todas as sociedades estão permeadas com certo tipo religião. Negar a existência de Deus é negar aquilo que todos os homens sempre souberam. O homem foi criado originalmente para ser um adorador. Quando ele pecou e caiu, o seu conceito sobre Deus ficou embotado, e embora continue sendo um adorador, ele faz isso através de falsos deuses.

O reconhecimento da divindade é essencial à nossa existência. Até mesmo Satanás nunca procurou desarraigar este princípio quando tentou inicialmente o homem. Ao invés disso, quando tentou Eva, ele distorceu a Palavra e o caráter de Deus.

A religião é inata ao homem. A lei de Deus está escrita em seus corações, e a nossa consciência dá testemunho disso (Romanos 2: 15).

A natureza religiosa do homem não é recebida por mera tradição. As tradições se perdem através do tempo, mas esta consciência sobre Deus permanece em cada indivíduo.

  1. Toda a Criação Manifesta a Existência de Deus.

Romanos 1: 19-20 afirma esta verdade. Todas as coisas apontam para Deus em sua origem e produção. Tudo tem sua origem em algum lugar. No final das contas, somos deixados somente com duas possibilidades, ou seja, ou Deus é eterno, ou a matéria é eterna. Já que é inconcebível que uma personalidade inteligente surja da matéria inanimada, a única posição racional é dizer que a matéria é o fruto de um ser inteligente, que chamamos de Deus, o qual criou todas as coisas a partir do nada.

A razão nos diz que há um começo, o ponto exato em que a causa colocou o efeito em ação. A causa é diferente do efeito, sendo superior a este em tudo. Tem que haver uma infinita e independente causa para todos os efeitos que vemos, e esta causa nada mais é do que o Deus da Bíblia.

Nada nem ninguém podem dar origem a si mesmo. Se o homem criou-se a si mesmo, por que não se fez maior do que ele é? Por que ele limita-se a si mesmo à sua presente condição?

Nenhum ser pode criar outro ser. Pois se isso ocorresse, este seria criador e não criatura. Os pais podem gerar filhos, mas necessitam de um óvulo e um espermatozóide. Então, isto não pode ser devidamente chamado de “criação.”

Deus criou tudo do nada. Ele é a primeira causa de cada efeito subseqüente. Ele não crio-se a si mesmo, mas tem sua existência eterna e independente. Ele é auto-existente.

O conhecimento das nossas próprias imperfeições implica na existência de algo que seja perfeito. A perfeição necessariamente existe. E esta pessoa perfeita é Deus.

A variedade e diversidade de coisas no mundo apontam para a sabedoria e bondade do Criador. Ele poderia ter feito tudo incolor, mas nos deu um amplo espectro de cores. Ele poderia ter feito nosso alimento insípido, mas nos deu uma ampla variedade de sabores.

Todas as coisas apontam para Deus em sua preservação. Nada pode preservar-se a si mesmo, tudo depende de uma autoridade maior para sua continuidade. Quem é o Sustentador? (Salmo 36: 6; 104: 24, 27-28, 30).

III. A Existência do Homem prova a Existência de Deus.

Considere o seu corpo. Ele foi espantosa e maravilhosamente feito (Salmo 139: 15). Paulo faz menção da maravilhosa interdependência de todas as partes do corpo em I Coríntios 12.

Pense na individualidade das impressões digitais. Ou pense em quantas combinações de olhos, narizes, e bocas encontramos no mundo. Sem esta variação, não poderíamos distinguir uma pessoa da outra. Ninguém pode deixar de ver claramente a mão de Deus em tudo isso.

Considere sua alma. Ela tem uma vasta capacidade de aprender e falar sobre coisas superiores a si mesmo, coisas que verdadeiramente estão muito além deste mundo.

Há uma união entre a alma e o corpo do homem, pela qual ele passa a ser uma espécie de combinação. Se nós fossemos somente espírito, seríamos então uma espécie de anjo. Se fossemos somente corpo, seríamos um tipo de besta selvagem. Somos uma espantosa combinação de alma e barro.

Considere a operações da sua consciência. Sentimos que há um juiz acima de nós mesmos. Todo homem tem em si mesmo este “princípio de reflexão” com o qual ele olha para si mesmo e para o seu próximo. Estamos sempre fazendo uso disso, quer acusando ou defendendo um ao outro (Romanos 2: 15).

Temor surge dentro do homem quando este comete algum mal. Quanto mais perto ele chega perto da morte, mais transtornado fica. Ele sabe que há um Juiz Superior e acima dele, e tem pavor de encontrá-lo.

É claro que o homem pode silenciar sua consciência, corromper, e até mesmo cauterizar, mas Deus pode despertá-la a qualquer momento que Ele queira.

Considere a amplidão dos desejos do homem. Ele está sempre insatisfeito com tudo o que está abaixo de si mesmo. E

stamos sempre preparados para olhar para o alto, acima de nós mesmos, para algo a mais, algo perfeito. Nosso apetite por coisas superiores demonstra um defeito que temos atualmente. Na verdade, somos inquietos, até que nos acheguemos e descansemos em Deus.

  1. Ocorrências Incomuns no Mundo Provam a Existência de Deus.

Ocorrências como julgamentos excepcionais, que normalmente acompanham pecados excepcionais, demonstram a justiça de Deus (Salmo 9: 16).

Pense na mulher de Ló que foi transformada em uma estátua de sal, ou Herodes, que foi comido por vermes.

Os milagres também manifestam um poder maior do que a própria natureza em si mesma. A natureza não pode sobrepor-se a si mesma e produzir milagres. Nada, senão um Deus vivo, é que pode ser o responsável por eventos semelhantes ao da ressurreição de Cristo dentre os mortos. As profecias que se cumpriram dão testemunho da existência de Deus.

O que esta doutrina significa para nós? Por que precisamos aprender estas verdades?

  1. O Ateísmo é uma Doutrina Destruidora.

Ela tende a destruir o mundo como um todo. O verdadeiro fundamento de uma sociedade bem ordenada, repousa no conhecimento e no temor a Deus. Sem Deus não pode haver nenhum padrão absoluto de certo ou errado.

O ateísmo destrói os próprios ateístas. Ao se remover toda ameaça de punição e recompensa, o homem é reduzido ao nível de um mero animal. Em tais casos, a esperança se acaba, e toda a possibilidade da verdadeira felicidade fica perdida.

Por outro lado, quanto mais consciente o homem é de Deus, mais inocente, inofensivo, e útil ele é para o mundo.

  1. A Presença do Ateísmo em nossos dias é Lamentável.

Ele é uma loucura que reduz o homem a nada. O ateísmo remove o significado e o propósito da vida, nos deixando com absolutamente nada, a não ser com uma escolha cega. Mas não se engane, o diabo não é um ateísta. Da mesma maneira, as almas que estão sofrendo o castigo de Deus no inferno, agora não têm dúvidas a respeito da existência de Deus. Para que você não seja enganado pela ilusão do ateísmo, considere os pontos a seguir.

  • Ninguém pode provar que Deus não exista.
  • Cada criatura viva, em toda a criação, testifica contra o ateísmo.
  • Os homens tentam ser ateístas porque possuem uma culpa secreta, que brota do conhecimento dos seus próprios pecados.
  • Se o ateísta estiver errado, ele perderá tudo. Se ele estiver certo, não ganhará nada. Sendo assim, até mesmo do ponto de vista humano, o ateísmo é irracional.
  • O ateísmo é desonesto e faz do homem um inimigo da sua própria alma e felicidade.

IV. Se é uma Grande Tolice Negar a Existência de Deus, então seria Sábio Reconhecer a Sua Existência.

Assim como Satanás primeiramente atacou o caráter de Deus no Jardim do Éden, ele agora também ataca o próprio ser de Deus com mais veemência. Ele é. E Ele é tudo o que as Escrituras afirmam que Ele é, ou seja, Senhor, Governador, e Soberano sobre todo o universo.

Este conhecimento é necessário para que o adoremos corretamente. Nossa adoração crescerá na medida em que o nosso conceito sobre Deus cresce também.

Sem este conhecimento, não podemos dirigir nossas vidas corretamente, e vamos nos entregar a todos os pecados possíveis.

Sem este conhecimento, não podemos encontrar conforto em nossas vidas.

Sem este conhecimento não podemos ter uma crença firme nas Escrituras.

  1. Se Professamos crer na Existência de Deus, e lhe Negarmos Adoração, Caímos na mesma Tolice dos Ateístas.

Aquele que professa crer em Deus, mas não o adora, é um ateísta para a Sua honra, se não o for para o Seu ser. Deus deveria fazer parte de todos os nossos pensamentos (Salmo 10: 4).

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