ESCLARECENDO DÚVIDAS EM RELAÇÃO AO DÍZIMO – CHRISTOPHER WALKER (2)

 

DÚVIDA 4

Como a Igreja hoje está aplicando aspectos da Velha Aliança de maneira errada?

Existe um livreto que esclarece muito bem como a Igreja ainda vive de acordo com os princípios da antiga dispensação (Vida em Comunidade: Estruturas que Impedem de James Hamann, Impacto Produções). Havia quatro estruturas fundamentais na Velha Aliança:

  1. Ministério especial (sacerdócio);
  2. Dia especial (sábado);
  3. Contribuição especial (dízimo);
  4. Lugar especial (tabernáculo ou templo).

A ideia central em todas essas estruturas era: separar uma parte do povo (os levitas e sacerdotes), uma parte da semana (o sábado), uma parte do dinheiro (dízimo) e uma parte muito restrita da terra (a casa de Deus). Em outras palavras, na dispensação tudo era parcial, uma sombra ou símbolo exterior de uma realidade maior que viria depois.

Na Nova Aliança, começamos a experimentar a realidade. Não devemos mais nos contentar com sombras ou símbolos.

Vejam como ficam as quatros estruturas fundamentais na Nova Aliança:

  1. Sacerdócio: todo o povo de Deus (1Pe 2.9);
  2. Sábado: Descanso permanente e total de obras mortas ( (Hb 4.3-10);
  3. Contribuição: tudo o que temos pertence ao Senhor e administramos 100% dos nossos recursos de acordo com a vontade dEle (Lc 14.23; At 4.32; Rm 12.2; Co 9.6-12);
  4. Casa de Deus: somos templo do Espírito Santo, individual e coletivamente em todo e qualquer lugar onde estivermos (1Co 6.19; 2Co 6.16).

Entretanto, as quatro estruturas ainda são mantidas hoje, em grande parte, como na antiga dispensação:

 

  1. temos a separação do povo em clérigos e leigos;
  2. um dia especial que é dedicado para cultuar o Senhor, enquanto o restante da semana é preenchido cm atividades “seculares”,
  3. só 10% (ou menos) da nossa renda pertencem ao Senhor e
  4. o lugar que realmente proporciona um encontro com Deus é o “templo” ou “santuário” da igreja.

Enquanto mantivermos essas estruturas antigas, seremos impedidos de viver a realidade da Nova Aliança.

DÚVIDA 5

Podemos dizer, então, que o Novo Testamento nada tem a dizer sobre dízimo?

O tratamento do dízimo no Novo Testamento é bem semelhante ao que acontece com a observação do sábado; as Escrituras da Nova Aliança não condenam essas práticas, mas também não as promovem. A forma como Jesus encarava o sábado, tornou-se um dos pontos mais fortes de conflito entre a velha ordem religiosa e a nova. Entretanto, a ideia não era anular os princípios da lei. Jesus nunca desrespeitou aquilo que Deus deu a Israel por meio de Moisés, ele contestava as atitudes erradas, de guardar mandamentos exteriores sem mudança de coração.

Se o Espírito Santo quisesse que a prática do dízimo fosse ensinada como princípio fundamental da Igreja, assim como é na maioria das igrejas hoje, houve vários momentos” em que poderia tê-la enfatizado. Um deles foi no concílio de Jerusalém, em Atos 15,, quando discutiram a questão dos cristãos gentios que não tinham a herança da lei. O que deveria ser exigido deles em relação às práticas da Velha Aliança? Houver várias recomendações (At 15.19-21), mas o dízimo não foi uma delas. Também em nenhuma das cartas de Paulo às igreja dos gentios houve qualquer menção do dízimo – somente instruções a respeito de ofertas e de como deveriam ser generosos e misericordiosos.

Se Jesus estivesse na terra hoje, com certeza não condenaria a prática do dízimo, porque dar e contribuir fazem parte da natureza divina. Ele condenaria, sim, a forma de praticar o dízimo, como sistema rígido e obrigatório, por embutir todas as deficiências da Velha Aliança; falta de espontaneidade, senso de justiça própria e superioridade, sensação de ter cumprido toda a exigência de Deus nessa área, indução à conformidade exterior por regras sem qualquer mudança interior.

Em síntese, O Novo Testamento não reforça a ideia de dizimo como algo especial separado das demais ofertas. Mostra, pelo exemplo da igreja em Atos e pelos ensinos nas epistolas que o princípio de doar uma parte da renda para pessoas necessitadas e para o crescimento do Reino de Deus é fundamento essencial da vida cristã, mas que deve ser fruto de uma vida transformada e acontecer espontaneamente a partir de um coração em sintonia como Espírito de Jesus.

Podemos e devemos usar as instruções e os mandamentos do Velho Testamento para entender a natureza e as exigências de Deus. Todos os princípios podem ser perfeitamente aplicado, como o de dar ao Senhor uma parte de nossa renda em gratidão por sua provisão e para declarar que Ele é dono e fonte de tudo. O que não podemos fazer é simplesmente transportar a “lei do dízimo” para a igreja, porque seria uma continuação do velho sistema. Devemos ensinar os princípios de Deus, mostrar como foram implantados na nação de Israel e como devem ser esperados, agora que temos o Espírito no nosso interior.

Isso pode parecer vago, e a maioria dos líderes hoje teria receio de simplesmente deixar livre para Deus tocar a consciência de cada um. O sistema atual, aparentemente funciona bem melhor. Entretanto, essa é uma das diferenças entre uma regra exterior e a lei escrita no coração. Se quisermos espontaneidade, não podemos implantar normas e regras fixas. Do contrário, o Espírito Santo não terá liberdade, e nunca entraremos na nossa verdadeira herança. Se quisermos viver na Nova aliança, teremos de enfrentar os riscos inerentes.

DÚVIDA 6

Na lei de Moisés, os dízimos eram dados aos levitas e sacerdotes. Como devemos aplicar isso na Nova aliança?

Em primeiro lugar, os dízimos não eram destinados integralmente aos levitas e sacerdotes. Eram usados, em parte, para financiar os momentos especiais de festa ao senhor em Jerusalém, quando todos deveriam celebrar e comer juntos diante de Deus (Dt 12. 17-18; 14.22-23). Somente de três em três anos, os dízimos eram destinados aos levitas – e aos peregrinos, órfãos e viúvas (Dt 14.28,29; 26.12; Am 4.4).

Mesmo no regime da lei, as doações não limitadas a 10%. Além do dízimo, havia as primícias de toda a produção agrícola e dos rebanhos, as ofertas e sacrifícios, além das dádivas, votos e coisas consagradas (Nm 18.9-14). Alguns estudiosos já calcularam que o total de tudo o que um fiel observador da lei de Moisés daria ao Senhor somaria mais de 20% de usa renda. A maioria dessas doações era destinada realmente aos levitas e sacerdotes (Nm 18.8-14).

Os levitas e sacerdotes cuidavam da casa de Deus, dos sacrifícios e de todos os serviços relacionados. Eles não tinham herança na terra, mas eram sustentados pelas ofertas pe pelos dízimos do restante do povo.

Não existe, no Novo Testamento, uma ligação clara entre os levitas e sacerdotes da velha Aliança e os líderes (presbíteros ou anciãos e diáconos) da igreja local ou os cinco ministérios de Efésios 4.11 (apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres). É evidente que existe uma liderança reconhecida na igreja primitiva, e que alguns se dedicavam ao ministério de tempo integral. Existe base bíblica para sustentar pessoas que estão servido à igreja primitiva, e que alguns se dedicavam ao ministério de tempo integral. Existe base bíblica para sustentar pessoas que estão servindo à igreja com ministérios itinerantes ou na liderança da igreja local, especialmente no ministério da Palavra (1Tm 5.17,18; Gl 6.6; Mt 10.9; 1Co 9.3-14).

Novamente, para aplicar um princípio do Velho Testamento, devemos entender que não podemos transferir uma lei ou um sistema de forma rígida ou literal para a igreja. Precisamos entender como adaptar princípios para o regime da Nova Aliança. No caso de usar dízimos e ofertas para sustentar as pessoas que estão servindo em tempo integral devemos observar o seguinte:

  1. A rigor, não existe distinção no Novo Testamento entre sacerdócio e o restante do povo. Desde o tempo de Moisés, toda a nação foi chamada para ser um povo sacerdotal (Ex 19.6). Agora, em Cristo, esse desejo de Deus deve tornar-se uma realidade (1Pe 2.9; Ap 1.5,6; 5.10). Existe diferença de funções, mas não mais uma classe especial. Todos são chamados ao sacerdócio, mas nem todos a funções que requeiram sustento financeiro. Muitas funções exercidas por sacerdotes ou levitas na lei de Moisés prefiguravam serviços que podem ser realizados por qualquer membro do Corpo de Cristo (Hb 13.15). Portanto, na igreja não deve existir uma classe de pessoas sustentada automaticamente pelo restante do povo.
  2. O destino mais citado para as ofertas no Novo Testamento eram o pobres e necessitados, especialmente os que faziam parte da família da fé (At 2.44,45; 4.32-35; Gl 6.10; 1Co 16.1-4; 2Co 8.1-4; 9.1,12,13). Isso condiz com o q       eu vemos em toda a Palavra: a preocupação do coração de Deus com órfãos, viúva e necessitados. Hoje, as igrejas doam normalmente para missões ou obras sociais somente quando há alguma sobra, ou seja, quando já resolveram todas as suas próprias necessidades (salários de obreiros e funcionários, móveis e prédios).
  3. Paulo, afirmou em 1Coríntios 9 que era direito dele e dos demais apóstolos e ministros receber sustento financeiro pelo serviço que estavam prestando às igrejas (ele usa a palavra direito cinco vezes neste capítulo – v. 4,5,6,12). No entanto, no espírito da Nova Aliança, em que as regras não são impostas nem obrigatórias, ele disse que era seu prazer, sua glória abrir mão desse direito. Em vários outros textos, ele enfatiza que fazia de tudo para não ser pesado, para não precisar de seu direito. Esse deve ser o nosso lema no Reino de Deus.

DÚVIDA 7

É errado ensinar que Deus abençoa financeiramente aqueles que dão dízimos e ofertas?

Em geral, o ensino errado é “quase certo”. Em outras palavras contém muitos elementos verdadeiros. Este é o problema: quanto mais próximo da verdade, mais noviço e enganador é. Quando alguém ensina uma prática ou doutrina, usando a Bíblia, provavelmente diz quase tudo certo; afinal, está usando a Bíblia! O problema está na atitude, nas pequenas distorções.

Existem muitos textos que mostram que Deus abençoa a quem dá (Ml 3.10; Lc 6.38; 2Co 9.10,11). O problema maior está na atitude e motivação de quem está doando.

Em primeiro lugar, não existe uma fórmula. Não é uma troca mágica. Não funciona sem fé, sem doar livre e espontaneamente, de coração, oferecendo a si mesmo em primeiro lugar e reconhecendo que tudo vem de Deus e pertence a Ele. Dar por obrigação, para agradar aos homens, para se sentir justo – nada disso tem valor para Deus!

Em segundo lugar, não devemos dar com intenção de receber algo de volta. Deus promete que abençoará, mas não é por isso que contribuímos. Ofertamos aquilo que já pertence ao Senhor, damos porque queremos agradar-lhe, porque é nossa alegria fazer a sua vontade com os recursos que Ele nos deu! Dar com vistas à recompensa é procurar vantagem para si – o que é o contrário de dar como Deus dá.

Na verdade, o que queremos é que o Reino de Deus cresça, que haja multiplicação de recursos para estender o Evangelho e trazer glória para o Senhor. Essa deve ser a nossa motivação.

 

 

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