OS HOMENS DO CENÁCULO – LEONARD RAVENHILL

pentecostes
NÃO HÁ IGREJA SEM PENTECOSTES

Os homens sedentos por Deus encontram-no. Assim como a corça suspira pelas correntes das águas, as almas daqueles que se reuniram no cenáculo ansiavam pelo Deus vivo. Espiritualmente nus, recorriam a Ele para serem revestidos do bendito Espírito Santo. Esvaziados de tudo, ansiavam por serem cheios. Sem nenhum poder, permaneceram ali até serem revestidos de poder. Desprovidos de tudo, suplicavam como mendigos, as riquezas da graça de Deus. E depois, aquele bando de medrosos tornou-se um grupo de mensageiros abrasados. Embora não dispusessem de espadas, esses soldados de Cristo lutaram contra o poderoso Império Romano, e venceram. Apesar de não possuírem prestígio eclesiástico, opuseram-se à gélida ortodoxia do judaísmo estéril ferindo-a profundamente. Embora iletrados, declararam destemidamente todo o conselho de Deus, e, por fim, chegaram a assombrar os intelectualizados gregos.

O grande problema dos nossos dias é, sem dúvida,  a necessidade que a Igreja tem de reencontrar o Senhor assunto aos céus, e receber um revestimento de poder que nos traga o maior dos avivamentos, antes que a noite caia sobre esta era de incomparável corrupção.

Eu creio que aqueles homens do cenáculo não esperavam a chegada do vento impetuoso, ficaram espantados com as línguas de fogo e admirados pelas palavras que pronunciavam e não conseguiam entender bem.

Afirmar que se tratava de um grupo de apóstatas, aguardando um novo toque divino, é torcer a verdade. Os apóstatas são as pessoas mais tristes do mundo, e aqueles discípulos, após terem visto o Mestre subindo aos céus numa nuvem, voltaram a Jerusalém com grande gozo.  Recolheram-se no Cenáculo, a fim de aguardar a promessa do Pai. Isto mostra que eram obedientes; e os apóstatas são pessoas desobedientes. Eles adoraram a Cristo depois de Sua ascensão; os apóstatas o abandonaram.

Não, vamos esclarecer isso. Aquelas pessoas eram felizes, obedientes e adoravam a Deus. Eram a Igreja em oração. Quando Jesus orara no Rio Jordão, o Espírito descera sobre Ele; agora, no Cenáculo, quando os discípulos oravam, o bendito Espírito desceu sobre eles também. Conservemos isso em mente: O Espírito Santo vem sobre gente que ora. Foi o que Ele fez no passado e é o que Ele fará novamente.

Aquele grupo era também uma igreja interessada pelos perdidos. No cenáculo, cada passo que deram foi em obediência a uma ordem divina. Embora falhos, aqueles homens ansiavam que o mundo soubesse que Cristo os enviara.

Era uma igreja quebrantada. Ali no cenáculo, eles se achavam atormentados por sua infidelidade espiritual. Haviam decepcionado o Mestre; haviam mentido a seu respeito; alguns haviam duvidado dele, e todos o haviam abandonado. Que muro de lamentações deve ter sido aquele cenáculo. Teria havido na história outro vale de Baca semelhante a esse? Será que os anjos já estiveram mais atarefados que naqueles dez dias, recolhendo lágrimas – lágrimas amargas, escaldantes, salgadas – no frasco da lembrança? Aqueles homens estavam rasgando o coração e não as suas vestes. Suas harpas estavam penduradas nos salgueiros. Um velho místico disse certa vez: “Para o povo de Deus só existe dois lugares: ou o pó ou o céu”. Só estamos seguros em um dos dois. Aquelas pessoas em busca do Espírito achavam-se no pó, bendito pó (melhor que o pó de ouro, quando em nossa prostração buscamos o poder do Senhor, e vemos a Sua Glória).

Era também uma igreja que confessava. Nenhum deles procurava analisar as idéias teológicas do outro. Estavam todos de acordo. Nenhum deles abria a boca para críticas; ninguém apontava nos outros falhas que impediriam a descida do poder prometido. Todos reconheciam sua condição de falidos espirituais. Eram o exemplo clássico de um povo de Deus, que se chamava pelo Seu nome, humilhando-se e buscando sua face; e Deus, por seu turno, ouvindo-lhes o clamor e enviando sobre eles uma onda de poder sobrenatural. Eles esperaram no Senhor e renovaram suas forças.

Hoje ninguém mais tem tempo para esperar. Alguns dizem que não é mais preciso esperar a vinda do Espírito, porque Ele já foi dado. Tenho certeza de que eles tem razão, mas estou igualmente certo de que é preciso esperar, para que possa mos fazer aquele exame  de coração, guiados pelo Espírito.

Os evangelistas em geral fazem apelos nos seguintes termos: “Você precisa de poder. Venha ao altar para obtê-lo”. Isto tem praticamente o mesmo valor que chegarmos ao um posto de gasolina e dizermos ao frentista: “Encha o tanque”. Não opera nenhuma transformação moral em nós, nem nos concede o revestimento espiritual que faria com que um mundo mergulhado em pecado e uma igreja fraca e hesitante, reconhecessem que o Todo-Poderoso visitou seu povo. Está claro que Ele não o fez.

Nesta hora em que se contrapõe uma filosofia ateística agressiva e um (chamado) cristianismo passivo, precisamos de um Mordecai, de coração quebrantado mas vontade resoluta, que nos leve ao pano de saco e às cinzas.

Que Deus tenha compaixão de nós,pois trocamos o cenáculo, com seu poder dinâmico, por uma vida fácil e segura, mas anêmica.

Fonte: Revista Mensagem da Cruz – Janeiro-Março de 1979

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