Quem governa a igreja local?
Cada denominação ou segmento evangélico tem sua forma de governo. De forma geral, encontramos duas distintas formas de governo. Algumas igrejas centralizam tudo numa só pessoa, o pastor; enquanto outras dão autoridade a um grupo eleito pelos membros que os “representam” e decidem tudo, cabendo ao líder acatar suas decisões. Um deles julga que o governo não deve estar sobre um só homem (o pastor), e sim com um grupo que fiscalize e cobre do líder; o outro grupo, por sua vez, nega qualquer prestação de contas e permite ao líder fazer o que quiser e como quiser.
Por um lado entendemos que ninguém deve governar sozinho, sem prestação de contas, e por outro, que nenhum grupo, por maior que sejam as suas boas intenções, deve tentar assumir a posição de autoridade que Deus concedeu ao governo espiritual da igreja. A Bíblia é clara quanto a quem governa e como governa:
“Devem ser considerados merecedores de dobrados honorários os presbíteros que presidem bem, com especialidade os que se afadigam na palavra e no ensino”
I Timóteo 5:17.
Em primeiro lugar, o texto fala quem governa: o presbítero. Em segundo lugar, o texto fala como se governa: em equipe (note o termo plural: “os presbíteros”).
Ao usar o termo presbítero – palavra grega que significa “ancião” – a Bíblia fala da maturidade necessária para se liderar. O apóstolo Paulo escreveu a seu discípulo Timóteo e lhe disse: “Ninguém despreze a tua mocidade”, indicando que a maturidade não era vista somente do ponto de vista cronológico, mas acima de tudo espiritual.
O presbitério
Entendemos que nenhum homem deve governar uma igreja sozinho, pois o modelo do Novo Testamento nos fala de um corpo, um conselho de anciãos que decidem juntos; as Escrituras chamam este corpo de presbíteros de “presbitério”. Na Bíblia, a palavra presbítero só aparece no singular quando se trata de uma menção de seu caráter; fora isto, todas as outras referências estão no plural “presbíteros” ou “presbitério”.
O livro de Provérbios nos declara que “na multidão dos conselheiros há segurança” (Pv.11:14); além de que, numa equipe há equilíbrio de ênfases, de ministérios, de motivações, etc. Contudo, é necessário que haja uma voz maior, quando as coisas não se resolvem espontaneamente, como no caso do Concílio de Jerusalém, quando Tiago se levantou e deu um parecer final sobre a questãoem discussão. Isto concorda também com o que encontramos nas cartas às sete igrejas da Ásia, no Apocalipse, onde Jesus se dirigia ao “anjo” (mensageiro) da igreja; alguém responsável por ser a voz maior na igreja. A este membro do presbitério que se destaca em momentos de decisões mais delicadas e que tem a responsabilidade de ser o anjo da igreja, chamamos de “sênior”.
Presbítero, Bispo, ou Pastor?
Há muita confusão nas igrejas em geral por causa destes termos distintos que o Novo Testamento emprega. Na maioria das igrejas, estes três termos indicam uma hierarquia ministerial, onde geralmente o presbítero é inferior ao pastor, que por sua vez é inferior ao bispo. Mas o quê, de fato, ensina a Bíblia? As Sagradas Escrituras jamais apresentaram estes termos como se referindo a pessoas e cargos diferentes; note o que diz a Bíblia: “De Mileto mandou [Paulo] a Éfeso chamar os presbíteros da igreja.” E, quando se encontraram com ele, disse-lhes: “…Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu BISPOS, para PASTOREARDES a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue” (At.20:17 e 28). Observe que os três títulos são usados para as mesmas pessoas! Pedro se referiu aos presbíteros como também sendo pastores: “Rogo, pois, aos PRESBÍTEROS que há entre vós, eu, presbítero como eles, e testemunha dos sofrimentos de Cristo, e ainda co-participante da glória que há de ser revelada: PASTOREAI o rebanho de Deus que há entre vós…” (I Pedro 5:1,2).
O termo “presbítero” (no grego significa “ancião”) fala da capacitação, da maturidade da pessoa; indica o homem.
O termo “pastor” fala do trabalho da pessoa; indica o ministério.
O termo “bispo” (episkopos, no grego, é supervisor) fala do cargo da pessoa; indica a posição.
Vemos algo semelhante na medicina; o ser graduado em medicina mostra a capacitação do indivíduo para ser médico; mas médico é o termo que indica o seu trabalho, enquanto que um termo como “chefe da pedriatria” indica um cargo que ele possui. Neste caso você não separa os termos “graduado”, “médico” e “chefe” dizendo que se referem a três pessoas, pois são três aspectos diferentes em uma só pessoa. O mesmo se dá com os termos pastor, bispo e presbítero.
Porque é tão importante entender isto? Para vivermos a forma correta de governo bíblico. Nossa é igreja é governada pelos presbíteros, que também são bispos, e que possui entre eles pastores; mas não só pastores, como também os demais dons ministeriais de Efésios 4:11. Todo presbítero é um bispo e todo bispo também é presbítero, estas duas características são inseparáveis; e onde estiverem estas duas, estará a terceira: o pastor (ou outro dom ministerial; Pedro era presbítero e apóstolo – I Pe.5:1). Só que nem todo pastor é um presbítero e bispo, pois pastor é um ministério exercido dentro da igreja de Cristo, mas não é um cargo e nem tampouco governo.
Como é estabelecido um presbítero?
Segundo o ensino do Novo Testamento, um presbítero sempre tem que ser estabelecido por outro presbítero. Quando uma igreja se inicia, um presbitério de outra localidade dá posse ao presbitério local, mas depois de já estabelecido, este presbitério é responsável por estabelecer seus novos membros.
Cremos nos cinco dons ministeriais como devendo funcionar na igreja em nossos dias, mas ninguém é ordenado ou estabelecido num dom ministerial, e sim no presbitério. No Novo Testamento ninguém é ordenado num dom ministerial, somente no presbitério:
“E, promovendo-lhes em cada igreja a eleição de presbíteros, depois de orar com jejuns, os encomendaram ao Senhor em quem haviam crido” (At.14:23). “Por esta causa te deixei em Creta para que pusesses em ordem as cousas restantes, bem como, em cada cidade, constituísses presbíteros, conforme te prescrevi” (Tt.1:5).
Tempo integral – remuneração
Recentemente a mídia tem noticiado muitos escândalos financeiros envolvendo a vida de igrejas e seus membros, colocando em dúvida, muitas vezes, a integridade do restante das igrejas. Portanto, julgamos necessário andar em transparência quanto a este assunto. Jesus ordenou que quem prega o evangelho deve viver do evangelho (I Co.9:14); disse também que o obreiro é digno de seu salário (Mt.10:10). Há vários textos e instruções que o Novo Testamento traz sobre a remuneração dos ministros; veja alguns deles:
• Duplicada remuneração para os presbíteros que governam bem (I Tm.5:17,18).
• Os que semeiam o que é espiritual tem o direito de colher o que é material. (I Co.9:7-13).
• Quem é instruído na Palavra deve repartir seus bens com quem o instrui (Gl.6:6).
• Salário para o ministério extra-local – missões (II Co.11:8).
As Escrituras falam sobre honrar, e não só remunerar, o que revela uma característica importante da remuneração. Em muitas igrejas os pastores não recebem mais do uma simples ajuda de custo, e muitos precisam dividir seu tempo com um emprego secular para sustentar a sua família, o que os impede de fazer bem a obra e ainda ter tempo para estar com o Senhor, em oração e meditação da Palavra. E quem está à frente do rebanho deve ter este tempo com Deus. Os apóstolos compreenderam e ensinaram isto logo cedo em seu ministério:
“Então os doze convocaram a comunidade dos discípulos e disseram: Não é razoável que nós abandonemos a palavra de Deus para servir às mesas. E, quanto a nós, nos consagraremos à oração e ao ministério da palavra”
Atos 6:2,4.
Acreditamos que o dinheiro da igreja deva ser empregado primariamente em pessoas, e não só em prédios e estruturas, pois pessoas são mais importantes que coisas. A igreja deve investir num quadro cada vez maior de obreiros de tempo integral à medida em que cresce. Ter também uma forte visão missionária, de sustentar obreiros em missões em outras localidades e países. E ainda reconhecer a necessidade de um forte trabalho de assistência social que supra as necessidades dos que são do seu meio (At.2:45, Gl.6:10).
O Diaconato
São escolhidos se preenchem os requisitos bíblicos:
“Mas, irmãos, escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria, aos quais encarregaremos deste serviço” (At.6:3).
“Semelhantemente, quanto a diáconos, é necessário que sejam respeitáveis, de uma só palavra, não inclinados a muito vinho, não cobiçosos de sórdida ganância, conservando o mistério da fé com consciência limpa. Também sejam estes primeiramente experimentados; e, se se mostrarem irrepreensíveis, exerçam o diaconato. Da mesma sorte, quanto a mulheres, é necessário que sejam elas respeitáveis, não maldizentes, temperantes e fiéis em tudo. O diácono seja marido de uma só mulher, e governe bem seus filhos e sua própria casa. Pois os que desempenharem bem o diaconato, alcançam para si mesmos justa preeminência e muita intrepidez na fé em Cristo Jesus” (I Tm.3:8-13).
A palavra “diácono” significa servo. Seu papel é servir, executando as deliberações do presbitério.
Na ilustração bíblica que temos do trabalho do diaconato em Atos 6, vemos que o presbitério havia decidido ajudar as viúvas distribuindo-lhes alimento, mas eles mesmo não poderiam executar pessoalmente esta deliberação, e delegaram este serviço aos diáconos. O diácono não tem funções necessariamente iguais em qualquer lugar e igreja, pois atenderá as deliberações do presbitério local.
Muitas pessoas servem dentro da igreja, mas o diácono ocupa uma posição honrosa de representar o presbitério naquilo que faz. É por isso que ele tem que ser ordenado diante da igreja:
“Apresentaram-nos perante os apóstolos, e estes, orando, lhes impuseram as mãos”. (Atos 6:6).
