LOUVOR INSPIRATIVO

Instrução pessoal

E finalmente, o sexto ponto nesta epístola que é importante para a edificação da Igreja é a instrução pessoal ou o discipulado. Vou explicar. No capítulo 5 especialmente vê-se claramente isso. Nem todas as situações são iguais. Paulo diz a Timóteo: “Não repreendas ao ancião, antes exorta-o como a um pai; aos mais jovens, como a irmão; às idosas, como a mães; às jovens, como a irmãs, com toda pureza. Honra as verdadeiras viúvas. Mas se alguma viúva tem filhos, ou netos, aprendam estes primeiro a ser piedosos com sua própria família…”.

O que está dizendo? Não se pode tratar igualmente todas as pessoas. Cada um é cada um. Não se pode tratar um ancião como a um jovem; não se pode tratar um jovem como uma moça. É necessário um trato personalizado e adequado a cada um, segundo a graça, segundo a necessidade, segundo a pessoa, segundo a situação de cada um.

Em seguida fala das viúvas, e você pode observar ao estudar o capítulo 5 que há viúvas e viúvas. Há viúvas jovens, a quem ele recomenda que se casem de novo; há viúvas mais velhas que tem um testemunho excelente, que deve-se colocá-las na lista das irmãs que servem a igreja e precisam ser sustentadas economicamente; há outras que não. Então, não são todos iguais. Do púlpito não se pode conhecer a todos, desde uma grande reunião não se pode chegar a adequadamente a todos.

Por exemplo, um dia prego sobre a didaké que é necessário trabalhar, trabalhar materialmente, ganhar seu sustento de cada dia, e todos escutam a mesma palavra. Mas ali há um irmão que trabalha demais, e eu estou enfatizando que tem que trabalhar. Ele está trabalhando 14 horas por dia, e se sente confirmado em seu trabalho material. E há outro que é folgado para o trabalho, e esse recebe a palavra superficialmente. Não se pode alcançar a todos adequadamente em sua edificação. Aquele que está trabalhando demais, já está sacrificando sua família, está descuidando da obra, quem sabe está trabalhando demais não porque necessite mas por ambição. Este se sentirá confirmado em seu erro. O que está faltando? A instrução pessoal. Precisa conhec-lo, tem que ser pai espiritual, tem que se aproximar desse irmão com amor, com oração, com graça, mas com firmeza e dizer: “Irmão, você está trabalhando demais; não precisa trabalhar tanto”. A um você precisa dizer “Descansa!”, e a outro precisa dizer “Trabalhe mais!”.

Mas quando pregamos, a palavra é geral; faz falta a instrução pessoal. A Igreja se edifica com instrução pessoal. Cada irmão precisa ser conhecido por alguém de forma mais próxima, para instruí-lo e orienta-lo mais especificamente.

Um dia prego que o homem é o cabeça da casa e que tem que assumir a autoridade e a responsabilidade, porque Deus o colocou como cabeça. Mas acontece que tem um irmão que é um tirano em sua casa, um déspota com sua esposa, e depois de me ouvir pregar diz: “Viu o que o pastor disse? Aqui eu sou a autoridade”. E minha palavra que era palavra de Deus, didaké, em vez de ajuda-lo, confirmou sua tirania e seu erro. Sem a instrução pessoal mão se pode edificar.

Precisa conhecer, aproximar-se e dizer: “Irmão, a Bíblia diz que seja cabeça, mas você é um cabeção. Não exagere, vá mais devagar. Deus lhe deu uma esposa, escute a sua esposa as vezes. Ele lhe deu uma ajudadora idônea. Você a está anulando, a está afastando. Não é assim irmão, não é assim”. Precisa uma instrução pessoal.

Outro precisa ser fortalecido. Para uma irmã eu tive que dizer: “Irmã, não afrouxe, enfrente seu marido”, porque fazia falta dizer-lhe isso. Mas não posso ensinar isso como doutrina, era uma instrução muito particular, muito pessoal. E no capítulo 5 há muita instrução particular, pessoal, e sobre tudo o que disse a Timóteo.

Por isso, irmãos, precisamos da instrução pessoal para saber em cada situação escutar, aconselhar, exortar. Alguns necessitam ânimo, outros necessitam oração, outros apenas ser ouvidos, compreendidos, amados. As vezes não sabemos o que dizer a pessoa, damos-lhe um abraço, e choramos com o que chora, e já se vai consolando.

Assim, é indispensável para a edificação da Igreja a instrução pessoal. Cada pessoa é valiosa, cada pessoa é amada por Deus, e Ele quer chegar a cada um com sua graça, com seu amor, com sua medida justa do que cada um precisa. Amém.

Dentro do sistema metodista o discipulado é algo essencial. Em 1743 Wesley organizou a sociedade. “Tal sociedade é nada mais do que uma companhia de homens tendo a forma e buscando o poder da piedade, unidos a fim de orar juntos, receber a palavra de exortação e cuidar uns dos outros em amor, para que possam se ajudar mutuamente no desenvolvimento da sua salvação”.

Assim Wesley criou seu tripé para o desenvolvimento da dinâmica do discipulado: a) Sociedade; b) Classes e c) Bands.

a) Sociedade (as multidões)

O propósito da sociedade era gerar mudança no nível do conhecimento e reunia pessoas de uma área geográfica específica. Esse grupo maior de pessoas se reunia uma vez por semana para orar, cantar, estudar a bíblia e cuidar uns dos outros em amor. Hoje a sociedade nada mais é do que o culto de celebração através do qual fazemos o discipulado integrado.

b) Classes (os 12 discípulos de Jesus)

O propósito das classes era gerar mudança de comportamento. As classes refletiam a estrutura mais básica da sociedade. Cada classe era composta de 12 a 20 membros, de ambos os sexos, com variedade de idade e classe social, sob a direção de um líder treinado. As classes hoje tomaram a forma de grupos familiares, células. Estes grupos tornam o discipulado integrado mais intimo, pois as questões são tratadas num grupo pequeno.

c) “Bands” (semelhante aos três discípulos mais próximos de Jesus: Pedro, Tiago e João):

O propósito das “bands” era gerar mudança de direção, coração e posição. Uma “band” era composta de 4 membros, do mesmo sexo, aproximadamente da mesma idade e estado civil. Eram células voluntárias com pessoas que tinham um compromisso claro e que desejavam crescer em amor; santidade e pureza de intenção. O ambiente nas “bands” era de completa honestidade e franqueza.

Havia regras sobre pontualidade e ordem nos encontros. Perguntas específicas foram introduzidas para que semanalmente cada membro respondesse aberta e honestamente:

• Que pecado conhecido você cometeu desde a nossa última reunião?

• Que tentações você encontrou?

• Como você foi liberto delas?

• Você pensou, disse ou fez qualquer coisa que tem dúvida se é pecado ou não?

• Há qualquer coisa que você tem o desejo de manter em segredo?

Podemos notar que nas “bands” não havia espaço para fingimento. Ali havia compromisso de confidencialidade e mútua submissão. Era um “centro de treinamento” para futuros líderes. Isto é o que chamamos hoje na visão celular de grupo de discipulado. É neste ambiente que o discipulado se torna pessoal.

Que possamos entender o nosso importante papel como líderes na edificação da igreja e que tenhamos o empenho em ser líderes que trabalhem pela edificação da igreja através de uma prática sincera do amor, uma vida fervorosa de oração, um testemunho forte que manifeste o caráter de Cristo, o exercício seguro e firme da autoridade que Deus nos delegou, um compromisso firme com a Palavra de Deus e um discipulado simples mas comprometido com a edificação das vidas.

E assim, sigamos em frente na nossa grandiosa missão de “testemunhar a graça e fazer discípulos”.

Eu termino com as palavras de Wesley: “A igreja não transforma o mundo fazendo novos convertidos. Ela transforma o mundo fazendo discípulos.”

 

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